Curso Psiquiatria São Paulo, São Paulo

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Curso Psiquiatria

Até onde o amor pode chegar? Como explicar que tal sentimento é capaz de levar à destruição de si próprio e de quem se ama? O amor e o ódio caminham de mãos dadas? Essas são as perguntas quem vêm à tona quando alguém vive uma paixão obsessiva. Num misto de rejeição e insegurança, posse e castigo, carência e ciúme, vingança e desespero, a mente pode se transformar num turbilhão de sentimentos devastadores, que por vezes terminam em perseguições, suicídios, assassinatos e outras tragédias. Quando o amor deixa de ser prazeroso e passa a restringir a possibilidade de viver sem amarradas, ele abre caminho para o chamado amor patológico.

Psicoterapeuta e pesquisadora do AMORE (Ambulatório do Amor em Excesso), da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Eglacy Sophia explica que no amor saudável é comum e esperado um comportamento recíproco de prestar atenção e cuidar do parceiro. Mas quando esse comportamento se torna excessivo e o indivíduo passa a fixar atenção no amado mais do que gostaria, abandonando outras atividades e pessoas anteriormente valorizadas, está caracterizado o amor patológico. Quando amar significa sofrer, é um forte indício para ficar atento em relação a esse quadro, alerta.

A psicóloga Judith Vero, co-autora do livro Falando de Amor - Uma Escuta Musical dos Vínculos Afetivos (Editora Ágora), conta que esse sentimento avassalador pode se manifestar em diferentes níveis. Entre casais, amigos, irmãos ou na relação de uma mãe com o filho, esse é um amor que faz mal e vem de quem não quer permitir que o amado viva sua própria vida, aponta. A pré-disposição para desenvolver o amor patológico varia de pessoa para pessoa. De acordo com Eglacy, tem gente que desenvolve esse sentimento obsessivo por uma ansiedade somada a fatores depressivos. Nesses casos, o relacionamento destrutivo e o conturbado funcionam como atenuante do sofrimento gerado por esses sintomas, sinaliza.

No entanto, existem ainda casos em que o amor patológico ocorre como único problema, particularmente em pessoas com baixa auto-estima e profundos sentimentos de raiva, abandono e rejeição. Outro importante fator predisponente para o amor patológico é o modelo familiar. Nesse caso, ocorre o ´casamento´ de um indivíduo que cuida do outro quase que constantemente com outro indivíduo que necessita de cuidado, ou seja, que se mostra fraco ou carente. Quando uma criança recebe esse modelo de relação dos pais, ela pode repeti-lo em sua relação amoro...

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